quarta-feira, 15 de maio de 2013

Maria é apóstola: deu Jesus ao mundo



“Ser-para-Cristo”: esta é a essência espiritual de Maria. Padre Alberione, organizador de obras apostólicas para tempos novos, perscruta atentamente, na Palavra de Deus, o sentido de “apostolado” e descobre em Maria a realização original e perfeita do objetivo apostólico específico de cada pessoa chamada: “gerar” e “formar” Cristo nas pessoas. 

Se o apostolado, em seu sentido integral, é gerar e fazer crescer o Cristo nos irmãos, Maria é a própria expressão do apostolado: ela gerou (= edidit) Cristo para o mundo. A partir dessa intuição, assume todo o seu valor o apostolado das edições, em sentido amplo: “Com o nome de ‘edição’ não entendemos apenas um livro; entendemos outras coisas. A palavra “edição” tem muitas conotações: edição do periódico, edição de quem prepara o script para o filme, de quem prepara o programa para a televisão, de quem prepara as mensagens a serem comunicadas por meio do rádio. ‘Edidit nobis Salvatorem’, diz a Liturgia. A Virgem nos deu o Salvador. Usa o verbo ‘edidit’” (Pr 1954, 137). 

1. Antes de tudo, Maria “sempre traz Jesus, como um ramo traz o fruto, oferecendo-o às pessoas” (CISP 38). Ela “irradia” Jesus. O verbo “irradiar” indica a 172 natureza do apostolado, que é sempre e acima de tudo “recepção”, “assimilação” e “testemunho” do Cristo anunciado e dado (RdA 17). Sabemos que isso tem para Maria um sentido muito mais profundo do que possa tê-lo para qualquer apóstolo e santo. Descrevendo o apóstolo, Padre Alberione delineia estas características: 

• é um santo que acumula tesouros, comunicando o excedente às pessoas; 
• traz Deus no próprio ser, irradiando-o em torno de si; 
• ama de tal modo a Deus e aos seres humanos que não pode guardar para si tudo o que sente e pensa; 
• ostensório que contém Jesus Cristo e expande uma luz inefável ao seu redor; 
• é um vaso de eleição que derrama, porque transbordante, e de cuja plenitude todos podem se beneficiar; 
• é um templo da Santíssima Trindade, a qual é extremamente operante; transpira Deus por todos os poros. 

E conclui: “Ora, com esse retrato, examinai a face de pessoas próximas ou distantes: reconheceis nelas o apóstolo? Em grau máximo, com inacessível semelhança, este é o rosto de Maria” (RdA 34-35). Agostinho chamará Maria de “forma Dei”: a sua maternidade é funcional e constitutiva para a Igreja de todos os tempos. 

2. Maria nos dá Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida. E no-lo dá todo inteiro. A sua ação não se esgota no “dar Jesus”, mas pretende formá-lo nas pessoas. 

Eis por que Maria “forma e alimenta o Corpo místico”, tornando-se, assim, o modelo de todo apostolado: “Maria nos deu Jesus: nele, todos os bens e o bem todo. Os santos e os corações apostólicos têm o apostolado dividido; Maria o possui todo inteiro. Ela é a apóstola universal no espaço, nos tempos, nos indivíduos. Os apostolados e os apóstolos agem em tempos e lugares próprios; Maria age sempre; age em todo lugar; e tudo chega até nós por meio de Maria. Esta é a sua vocação, a sua missão: dar Jesus Cristo” (RdA 20). 

Eis por que Padre Alberione, referindo-se ao ensinamento de São Pio X, afirma que por Maria será realizada a “cristianização do mundo”; este é o caminho “mais fácil e seguro” para a conversão de todos: não só enquanto anunciamos Maria, sempre e para todos, mas enquanto ela é acolhida na vida de cada um (RdA 24ss). 

Pontos para reflexão 
– A vida grita sempre mais forte do que as palavras que pronunciamos e do que as obras que fazemos. Portanto, o apóstolo primeiro é, e depois faz. Cf. Mt 4, 18-22: Mc 1,17: Lc 24,48: Jo 15,27; 20,21-23; At 4,33; 1Cor 3,5-15; 2Cor 12,12; Ef 6,19s.; Cl 1,25-29; 2Tm 1,11; 2,15.

 – No livro de Padre Alberione, Maria Rainha dos Apóstolos, encontramos numerosas descrições do apostolado de Maria: cf. as páginas 14, 20, 34-35, 88, 237, 251-253, 272; além disso, cf. UPS IV, 267-268; HM VIII, 78-79, 192-193; CISP 1044, 1476; Pr RA 229.